Você sabia que a fobia social tende a crescer depois da pandemia?

A pandemia impactou sobremaneira as nossas vidas, impondo um longo período de isolamento social. E com o confinamento, fatores como medo de contágio, morte de familiares pela covid, incertezas sobre o futuro, o trabalho e as relações passaram a fazer parte do dia a dia e acarretar ansiedade, grande estresse e medo. Cada indivíduo percebeu e vem lidando de maneira diferenciada com essa questão. Porém, pessoas com distúrbios prévios são as mais afetadas. Não somente no Brasil, mas no mundo todo. O transtorno de ansiedade social (TAS), popularmente conhecido como fobia social, por ser um dos transtornos mentais com maior prevalência na população geral e caracterizar-se por um quadro de esquiva fóbica; onde a pessoa evita contatos interpessoais para não se sentir avaliada negativamente, rejeitada ou mesmo humilhada, tende a ter seus sintomas agravados. Uma vez que para esse grupo de pessoas, mudanças abruptas, eventos estressantes, provocam um aumento expressivo no quadro de ansiedade e nervosismo.

Cabe ressaltar que existe um pensamento frequente e intenso por parte da pessoa, de que “os outros” estão sempre julgando sua conduta, achando que ela é boba, incompetente e inábil. Essa forma de pensar gera ansiedade excessiva, além da conta do que é considerado normal. E que acaba acarretando grande prejuízo na qualidade de vida, nas relações amorosas e na carreira de uma maneira geral. Observa-se notoriamente não apenas um aumento da ansiedade, do medo e nervosismo, mas também do surgimento de sintomas físicos, como náuseas e dores no estômago, tensão muscular, transpiração excessiva, aceleração do batimento cardíaco, diarreia, falta de ar, tontura e confusão mental.

Na fobia social, é a interação ou a possibilidade de interação social, de se sentir exposto é que passa a ser grande fonte de sofrimento. Conversar com alguém gera ansiedade. Frequentar uma festa, gera ansiedade. Dar uma palestra, gera ansiedade. Só que o que diferencia aqui de um sentimento de ansiedade comum, sentido normalmente pelas pessoas ao darem uma palestra. É que a ansiedade na fobia social, não cessa após o encerramento da palestra. Ela aumenta gradativamente no decorrer da palestra e continua elevada, se mantém no tempo. Como também a pessoa fica extremamente preocupada, apresenta ansiedade antecipatória, insônia, semanas antes de dar a palestra ou participar de uma festa. Desde uma simples reunião de trabalho, onde requer a interação social, por intenso medo de se sentir expostas; percebem-se evitando a fazer perguntas e contato olho a olho com os colegas. Até praticar uma simples atividade física na frente de outra pessoa ou telefonar para resolver um simples problema. Falar com um atendente em uma loja ou ainda, fazer escolha em um restaurante quando tem que decidir a mesa onde irá sentar. Tudo é vivenciado com ansiedade, frustração e bastante sofrimento, ao não conseguirem desfrutar o momento presente com as pessoas. Inclusive costumam fazer escolhas na vida, tomar decisões na carreira a fim de evitarem esse contato social. Pois possuem grande dificuldade nos relacionamentos, dificuldades para expressar o que sentem e o que acham.  Nesse sentido é muito importante identificar e perceber o quanto de prejuízo significativo está ocorrendo na vida pessoal e social.

Como virar o jogo? Não tendo medo de falar do problema, de perceber-se, permitindo-se a compartilhar sentimentos e emoções, ao fazer terapia. Geralmente, os transtornos de ansiedade respondem muito bem ao tratamento psicológico. Um dos caminhos percorridos na terapia cognitivo comportamental, para abordar esse transtorno seria a utilização de técnicas, como reestruturação cognitiva, treino de habilidades sociais, relaxamento, meditação e exposição. Implementação de mudanças de hábitos na rotina, sono adequado e atividades físicas. Objetivando a diminuição do isolamento social nos pacientes e o enfrentamento gradativo das situações estressantes na vida real.

Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.

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