A ansiedade sempre existiu, sempre fez parte de nossas vidas. Porém com a pandemia, nunca se falou tanto, em pouco espaço de tempo sobre essa questão. Mas por que tem sido um assunto tão debatido? Porque o aumento da ansiedade já vem sido percebido ao longo dos últimos anos, com maior intensidade e frequência, principalmente nas grandes metrópoles. E na pandemia com o isolamento social imposto, na necessidade dos trabalhos remotos, nas aulas a distância, no toque de recolher e no cerceamento da liberdade do ir e vir; as famílias passaram a conviver e interagir obrigatoriamente mais. Essa alteração inesperada da famosa “normalidade”, impacta grandemente as pessoas, as empresas e principalmente, os núcleos familiares. Cabe ressaltar que o núcleo familiar é um dos principais pilares de apoio e sustentação para quem sofre de ansiedade, como também demais transtornos emocionais. As famílias que se encontram mais estruturadas, seus integrantes embora tenham certas dificuldades nos relacionamentos, conseguem transpor e sair até mais fortalecidos com tudo isso. Entretanto outras, se veem obrigadas a lidar com instabilidade no emprego, insegurança, violência doméstica, dentre outros, que infelizmente acabam agravando ainda mais certas questões de cunho emocional.
Nesse momento, o autoconhecimento é importantíssimo no combate à ansiedade. Pois ao olhar para si, para o seu interior, para as suas reações, muitos percebem que a ansiedade está em grau muito elevado, está muito intensa, afetando a vida significativamente. Já não é mais possível fingir que a ansiedade não está lá. Outros percebem juntamente, a depressão. Algumas vezes surgem juntas, outras, uma é resultado da outra. Porém possuem sintomas e tratamentos diferentes. E daí vem a pergunta: o que que eu faço agora? Ando muito ansioso, irritadiço, não consigo dormir, não consigo me alimentar direito, ando com medos frequentes e muita insônia. Não consigo relaxar, sinto muita intranquilidade, um desassossego na alma sem fim. Meus pensamentos estão muito acelerados, simplesmente me consomem. O que é isso que estou sentindo? Será que é ansiedade mesmo? Como eu controlo isso? Então vamos lá, vem comigo para saber um pouquinho mais sobre a ansiedade.
Decifrando a ansiedade…
Não dá para falar da ansiedade sem falar um pouquinho sobre o medo. É importante fazermos essa diferenciação para uma melhor compreensão. A ansiedade e o medo, fazem parte de nossas vidas desde que nascemos. Como um mecanismo de adaptação e sobrevivência do nosso organismo, nos auxiliam diariamente a lidar com novos desafios e atribulações. Tanto a ansiedade quanto o medo, possuem o propósito de nos alertar para uma possível ameaça e consequentemente nos preparar para reagir adequadamente, ou seja, fugir ou partir para um embate.
De acordo com muitos cientistas a ansiedade é uma emoção, um estado de ânimo, um estado emocional secundário, direcionado para o futuro. Ela ocorre quando antecipamos uma situação futura de perigo pessoal, incontrolável e imprevisível onde percebemos uma ameaça futura a nossa integridade física, ocasionando comportamentos de cautela e esquiva. O medo também é uma emoção básica, primária, ou seja, uma das primeiras emoções a surgir e a reconhecermos. Porém, o medo é uma emoção que surge, ante uma ameaça percebida ou real. Está ligado ao presente imediato e não ao futuro, como a ansiedade. Ex.: medo de cobra, medo de aranha, de onça ou mesmo de assaltante.
Em todos os estados de ansiedade, observamos que o medo se encontra subjacente. Descobrir o medo básico que conduz à ansiedade, perceber se o medo é real ou imaginário é extremamente importante no tratamento da ansiedade. Algumas vezes ele é percebido pelo sujeito e outras, ele tem que ser identificado e explorado. Isso poderá ser realizado com acompanhamento de um profissional da saúde mental, através da psicoterapia.
Portanto, a ansiedade é tão normal e útil à nós, quanto a necessidade de respirar, comer e dormir. Ela nos impulsiona a realizar projetos, planejar futuro. No entanto, nem toda experiência de ansiedade e medo são percebidas como boas, por nós. Por exemplo: sentir-se ansioso por ser submetido a uma prova é perfeitamente normal e pode inclusive auxiliar a nos prepararmos mais para ela, embora naturalmente a maioria de nós não goste desse estado de emoção. Ou ainda sentir ansiedade por ter que viajar em uma estrada deserta, fará com que você revise seu carro, coloque combustível, para evitar um possível contratempo. Da mesma forma agora na pandemia, sentir ansiedade, fará com que você tome mais cuidados de prevenção e saúde com você e os demais, desde que a ansiedade se mantenha nos limites da “normalidade”. Está tudo bem, não há nada de errado.
Como a ansiedade se apresenta?
A ansiedade sempre variará em grau de intensidade e de um episódio para outro, ou seja, variará de situação a situação. Algum episódio desencadeará uma ansiedade mais branda e outro, uma ansiedade mais intensa. O grau de tolerância também é diferente de uma pessoa para outra. Algumas vezes nós até conseguimos reconhecer quando ela surge, mas não conseguimos saber exatamente de onde vem e muito menos para onde vai.
É importante ressaltar que não há um limite claro, do ponto de vista clínico, referente ao estado de ansiedade normal e o estado de ansiedade anormal. Ansiedade normal ela é adaptativa, não há necessidade e não deve ser tratada. Ela deve ser apenas percebida e acolhida por nós. De que forma fazemos isso? Ao trabalharmos o nosso autoconhecimento, vamos identificando a ansiedade e os gatilhos que a despertam com mais frequência. A partir disso, vamos adotar no nosso cotidiano, novas maneiras de lidarmos com ela. Como por exemplo: meditação, ioga, exercícios físicos, música, dança, alimentação e sono adequados, dentre outros. Já a ansiedade anormal, desadaptativa, muito intensa, deve ser bem administrada para não intensificar cada vez mais os seus sintomas, acarretando maiores prejuízos na vida da pessoa.
E quando a ansiedade fica difícil de administrar? É quando a pessoa precisa naturalmente de ajuda. Ela percebe que a ansiedade que outrora estava sob controle, vem se tornando excessiva, acompanhada de muitos pensamentos intrusivos diariamente, desproporcional as causas reais que dão início a ansiedade.
Torna-se importante destacar que inúmeros gatilhos despertam a ansiedade. E esses gatilhos não serão iguais de uma pessoa para outra. Por exemplo: é difícil não ficar ansioso antes de uma apresentação no seu trabalho, afinal a maioria das pessoas sente uma certa ansiedade. O problema é quando essa ansiedade é excessiva, aguda e muito desproporcional, onde seus pensamentos levam a um convencimento que simplesmente irá dar tudo errado. E acaba despertando em você a fuga, ou seja, você desiste e falta o seu trabalho para não participar da apresentação. Porque sente-se verdadeiramente incapaz e como consequência, evita essa exposição. Mesmo sabendo que sairá prejudicado em seu trabalho. Pois a ansiedade despertada em você é maior do que qualquer outra coisa.
Essa ansiedade gera dificuldades e prejuízos na vida da pessoa. Quanto mais severa for a ansiedade sentida, mais difusa e maior tenderá a ser os estragos na vida. Por exemplo, a pessoa terá desempenho diminuído na escola ou no trabalho. Terá uma perda maior de concentração e perceberá um aumento nos conflitos em suas relações interpessoais. Como também apresentará prejuízos significativos, em sua qualidade de vida e rotina. Quando a ansiedade torna-se excessiva, muito alta, desproporcional, com pensamentos intrusivos quase todos os dias, deverá ser avaliada com mais critério pelo psiquiatra e psicólogo, a fim de verificar que tipos de situações ou objetos, induzem no sujeito o medo, a ansiedade e a esquiva. Como também verificar a cognição a fim de descobrir quais pensamentos surgem associados.
Cabe ressaltar que o medo e a ansiedade adaptativa, normal, nos transtornos de ansiedade eles persistem por períodos inconvenientes, muito além do que o esperado e com frequência são induzidos pelo estresse.
A ansiedade torna-se inconveniente quando ocorre várias vezes ao dia. Porque o corpo gasta muita energia. E o físico não aguenta isso direto. Isso é desagradável, mas não é perigoso, não é letal. A duração da crise é limitada, não dura para sempre. Em meia hora no máximo ela passa. E acredite se quiser, quanto mais tememos essa sensação, essa resposta de luta ou fuga, maior será a ansiedade sentida. Essa resposta de luta ou fuga que o organismo manifesta é igual a crise de ansiedade, crise de pânico.
Se você vem notando que tem sentido muita ansiedade ultimamente e está difícil para lidar com ela sozinho, entre em contato comigo para agendarmos uma sessão. Eu poderei ajudá-lo(a) através da terapia cognitivo-comportamental. Grande abraço!
Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP: 08/05850.
