No campo da saúde mental, a depressão é bastante reconhecida e pesquisada como uma das grandes causadoras de sofrimento humano. Ela inclusive aparece citada já no século IV a.c., pelo grande filósofo Hipócrates de Cós. Tanto ele como outros autores da antiguidade nomeiam a depressão, como melancolia, estado melancólico. Atualmente não se usa o termo melancolia, mas sim depressão. E muitos dos traços e sintomas relatados pelos pacientes na antiguidade, são ainda hoje observados e descritos nos livros contemporâneos.
Você sabia que os índices de casos com depressão clínica, em crianças e adolescentes, vem aumentando e para piorar ainda mais, tem permanecido por um período de tempo maior e apresentado quadros com sintomas mais graves? Por isso a informação sobre a depressão é muito importante, uma vez que ao diagnosticarmos precocemente, podemos estar intervindo e efetuando um tratamento mais eficaz e pontual. Contribuindo para que o sujeito não venha a manifestar um sofrimento crônico, que o levaria a incapacitação. Inclusive alguns estudos atuais sobre a depressão, salientam que a cada geração a depressão tende a se manifestar em idades mais precoces, o que contribui consequentemente para que a sua manifestação no decorrer da vida seja mais frequente e com níveis mais elevados.
Cabe ressaltar que o quadro de depressão, não se refere a população que está passando por momentos de tristeza, que em poucas semanas melhorará espontaneamente. Mas refere-se às pessoas que percebem a sua condição se agravando diariamente e cujos sintomas persistem e trazem grandes prejuízos, por interferirem de maneira significativa em seu trabalho, na sua vida acadêmica, na sua vida pessoal, familiar e social de maneira geral. A depressão é uma doença clínica, porém ainda temos sérias dificuldades de reconhecê-la. A maioria das pessoas acha que é fácil de ser diagnosticada, mas não é. É extremamente intrigante e desafiadora aos profissionais da saúde mental. Em sua origem, a depressão envolve fatores psicológicos, genéticos e ambientais. O que contribui para que o tratamento quando venha a ser iniciado, o paciente já apresente um certo nível de cronicidade bastante alto. Porque muitos casos são diagnosticados quando a doença já está mais evoluída, como por exemplo, quando o sujeito é demitido do trabalho ou encontra-se tão debilitado que acaba por se afastar do emprego por conta própria. Isso gera um grande impacto econômico pelo número de casos de afastamento do trabalho, onde a depressão ocupa lugar de destaque no ranking, como é o caso do Brasil.
A depressão pode ser definida como um transtorno mental que altera de modo expressivo, o humor do sujeito. O estado de humor se torna reduzido ou em baixa. É uma patologia que afeta a mente, o corpo, cérebro e inclusive nossa dimensão espiritual. É uma condição psiquiátrica muito frequente, onde na maior parte das vezes a pessoa necessita de auxílio para conseguir alterar o seu estado de resposta frente ao problema e consequentemente ter uma melhora significativa. Tecnicamente a depressão mais comum é a depressão clássica, conhecida também por depressão clínica, depressão unipolar ou transtorno depressivo maior. A duração mínima para diagnóstico é de duas semanas e os sintomas são perda de interesse em atividades que antes geravam prazer e sentimentos de pesar e tristeza. Além desses, pelo menos quatro dos seguintes sintomas a seguir, podem estar presentes: labilidade emocional (choro fácil), apatia, irritação intensa, interferindo no funcionamento diário acadêmico, profissional e social. Diminuição visível do prazer, onde a pessoa percebe que perdeu o colorido da vida, perdeu o gosto de trabalhar e conviver socialmente. Frequentemente há perda ou redução do desejo sexual. Surgem pensamentos com foco exacerbado em conteúdos negativos, de autocrítica, inutilidade, culpa, perda da autoestima, pessimismo e desesperança. Em casos mais extremados, ideias de suicídio e morte também acompanham. A falta de concentração, memorização, raciocínio lento e dificuldade na tomada de decisão, torna-se bastante evidente.
Do ponto de vista físico, a depressão acarreta uma diminuição da energia física, onde o cansaço e a fadiga são constantes. A atividade motora pode estar mais lenta ou mais agitada. Dores físicas também são comumente relatadas. Muitos perdem o apetite, perdem o prazer e gosto de se alimentar, gerando invariavelmente uma grande perda de peso. Outros, passam a ter fome excessiva e a engordar de forma significativa. Alguns passam a ter mais sono e outros menos sono. Percebe-se comumente uma insônia terminal, onde a pessoa acorda antes do horário previsto, embora também ocorram casos onde demora para pegar no sono. A insônia geralmente é acompanhada por pensamentos automáticos, pensamentos negativos e distorcidos que se repetem exaustivamente.
A depressão clássica costuma ocorrer em vários momentos na vida de uma pessoa, mas também poderá ocorrer somente em um único episódio. No entanto a partir do primeiro episódio, as chances de recaída superam os 50%. Observa-se eventos estressores ou mesmo perdas significativas precedendo anteriormente e contribuindo para desencadear o quadro depressivo. Sem o devido tratamento adequado, poderá durar de seis a dezoito meses. Há ainda variantes da depressão clássica que seriam a depressão psicótica, depressão sazonal e depressão atípica.
Embora seja difícil para a pessoa e seus familiares lidar com a depressão, há tratamentos para tratar a depressão leve, moderada e grave. Casos leves e moderados, respondem bem a psicoterapia. Em alguns casos de depressão moderada e principalmente os mais graves, o tratamento medicamentoso a base de antidepressivos é o recomendado, para auxiliar a pessoa a sair da crise. E paralelamente, a psicoterapia. Quanto maior a adesão por parte do paciente ao tratamento, mais rápido será o seu restabelecimento e consequentemente, a sua disposição para retornar a rotina do dia a dia.
Se você sofre com depressão ou possui algum conhecido que está sofrendo, procure auxílio. Quanto mais cedo der início ao tratamento, melhor e mais rápido será o pronto restabelecimento.
Grande abraço,
Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.
