Campanha Setembro Amarelo: juntos somos mais fortes!

Você, assim como eu, está vendo muitos posts referente ao setembro amarelo. A campanha do “setembro amarelo”, teve seu início no Brasil em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria, juntamente com o Conselho Federal de Medicina. Embora desde 2003, 10 de setembro seja o dia mundial de prevenção ao suicídio. O objetivo da campanha é prevenir e reduzir os números de suicídio no Brasil e consequentemente no mundo. Prevenção é e sempre foi o melhor caminho. Devemos atentar para o problema do suicídio, não apenas durante a campanha do setembro amarelo, mas também no decorrer do ano. Afinal, a cada 40 segundos uma pessoa morre no mundo por suicídio. Cabe a cada um de nós, o acesso a informação e um olhar mais atento e apurado, para a prevenção. Um olhar de acolhimento, livre de preconceito e julgamento, uma vez que o preconceito impede muitos de procurarem ajuda.

Suicídio é uma questão bastante complexa, polêmica e influenciada por inúmeros fatores, tais como: culturais, econômicos, sociais, biológicos, físicos, psíquicos e situacionais. Cabe ressaltar que a grande maioria das pessoas que cometeram suicídio, apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico. Cerca de 50 a 60% das pessoas que cometeram suicídio, jamais se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida!

Você sabia que o risco de suicídio em pacientes depressivos é 20 vezes maior? Porém, nem todas as pessoas deprimidas tentam tirar a sua própria vida. No transtorno bipolar, na fase mista ou depressiva, o risco é 15 vezes maior. Assim sendo, observamos em primeiro lugar no grupo de risco para suicídio, a depressão, seguido do transtorno de humor bipolar e transtornos relacionados ao abuso de substâncias, tais como: cocaína, crack, maconha e álcool. Como também a esquizofrenia e transtorno de personalidade. Somam-se ainda como fatores de riscos proximais desencadeantes ou gatilhos para o comportamento suicida, os eventos estressores crônicos e recentes como migração, perda de um ente querido e separação conjugal. Eventos ocorridos na infância e adolescência como maus tratos, abuso físico e sexual. A presença de arma de fogo, medicamentos letais e doenças crônicas que geram dores, neoplasias em fase terminal, limitações funcionais, desconforto ou mesmo um determinado diagnóstico. Problemas financeiros que levam o indivíduo a falência ou perda de emprego, também se associam ao aparecimento de pensamentos suicidas.

Existe também alguns fatores de vulnerabilidade psicológica ao suicídio, que seriam:

  • A crença de desesperança, crença de que o futuro é sombrio e os problemas nunca se resolverão;
  • Déficits na resolução de problemas e perfeccionismo;
  • Distorção cognitiva – Visão em túnel – onde a atenção do sujeito é voltada ao suicídio, como única opção durante as crises suicidas, ou seja, quanto mais pensa, mais frequente fica o pensamento a respeito do suicídio. Quanto mais durarem esses pensamentos, maior probabilidade existe, do indivíduo cometer o suicídio;
  • E impulsividade aumentada, onde existe falha em considerar as consequências de suas ações, ênfase no presente e rápida tomada de decisão. Embora, é importante destacar que alguns atos suicidas sejam cuidadosamente planejados.

Pacientes suicidas listam várias razões para morrer e têm dificuldade em pensar nas razões para viver. Diante disso, atenção aos comentários que evidenciem desamparo, desesperança e desespero.  Como frases do tipo: “Eu ando tão desgostosa da minha vida que quando atravesso a rua, nem olho!” “Gostaria de dormir e não acordar mais!” “Puxa! Gostaria de levar um tiro de bala perdida, assim resolvo o meu problema! “Sentei no parapeito da janela no meu prédio, para ver se é muito alto!” “Eu preferia estar morto!” São frases comunicadas, aparentemente a esmo, às pessoas ao redor. E sabe o que acontece na maioria das vezes? As pessoas não se dão conta, não prestam muita atenção. Não é nada proposital, mas porque estão imersos no corre-corre do dia a dia e infelizmente não param para ouvir o que o outro diz, ou se ouvem, não levam muito a sério. Familiares, conhecidos, amigos, prestem atenção! Ouçam mais e não levem sempre tudo na brincadeira. Muitas vezes a pessoa está verbalizando e ao verbalizar, está pedindo em um grito mudo, socorro! Não aguento mais! Nessa hora, as pessoas que estão ao redor, são convocadas a estender a mão, a ajudar. A dica é ouvir, conversar e na medida do possível, encaminhar para um profissional de saúde mental, que estará habilitado para conduzir a questão.

Saiba que por trás da depressão, de uma crise suicida, sempre há um grande acontecimento que está impactando a vida daquela pessoa. E as vezes esse acontecimento gera emoções tão intensas, tão dolorosas que a dor psíquica presente torna-se exacerbada. E a pessoa por si só não percebe outro caminho, a não ser o suicídio. Ela acredita no suicídio como única solução para o problema, quando de fato não o é, pois existem inúmeras opções e caminhos que podem ser seguidos.  Afinal, é possível sim adquirir um novo olhar, a partir do momento em que se aprende a manejar melhor as emoções e as adversidades que a vida impõe a todos nós. E ao perceber que o suicídio em hipótese alguma está relacionado a coragem, mas ao sofrimento intenso. E que pode sim ser prevenido, ao identificar e trabalhar aquela dor, juntamente com um profissional da saúde mental. A pessoa passa a vislumbrar uma nova estrada, um novo caminho e principalmente a perceber que não está sozinha, que é acolhida e respeitada em seu sofrimento. E então, aprende a ressignificar! E ao ressignificar, tem a chance de transformar algo doloroso, ruim, negativo, em algo mais leve, bom e positivo. É fácil esse movimento?! Não, não o é. Mas com auxílio psicológico, torna-se mais fácil.

Se está difícil para seguir sozinho, não hesite! Invista em você e procure ajuda de um profissional de saúde mental.

Faça tratamento! Cuide com carinho e atenção de você. Sua vida é bastante preciosa e vale muito a pena ser vivida intensamente!

Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse:

Centro de Valorização da Vida (CVV) – Atendimento gratuito e sigiloso realizado por voluntários, para qualquer forma de sofrimento emocional -Telefone 188 e via chat:  www.cvv.org.br

Instituto Vita Alere de Prevenção e posvenção do suicídio. www.vitaalere.com.br

Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS). www.abeps.org.br

Safernet – sobre cyberbulling e segurança na internet. www.safernet.org.br

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