Você sabia que suas emoções são como ondas do mar?

A maioria das pessoas acredita que determinadas emoções como por exemplo, alegria, angustia, raiva, ansiedade, tristeza, medo, surpresa, duram infinitamente. E dependendo do impacto que essas emoções provocam no momento, devem ser bloqueadas assim que surgirem ou que é necessário na maioria das vezes, utilizar alguma técnica para diminuir a intensidade, a fim de que não venham sofrer. Outros sentem-se pressionados a intensificar a emoção ou minimizar, sempre que a percebem. Sem compreender que a emoção é sim, temporária, ela é finita. E para perceber melhor isso, existe uma técnica que consiste em apenas distanciar-se e concentrar-se completamente no presente, mantendo a atenção plena, no “aqui e agora”. E perceber a emoção, como uma onda do mar. Com início, meio e fim, onde a onda atinge a mais alta intensidade e após, recua paulatinamente, diminuindo de intensidade. Não necessita interromper a emoção, mas apenas perceber o grau de intensidade e o quão acentuada ela se mostra para você, como também, quanto tempo leva para diminuir. Caso queira, poderá parar por alguns instantes no dia a dia e perceber com mais atenção, como andam suas emoções. Inclusive se desejar, poderá anotar o grau de intensidade vivenciado por você, referente as suas emoções. Você perceberá que como ondas do mar, também as emoções têm a durabilidade de segundos ou mesmo minutos. Entretanto, não procure retirá-las se perceber que são incomodas ou mesmo prorrogar indefinidamente, se são agradáveis. Mas apenas permita-se a vivenciar e ser transportado pela “onda”, pela emoção.

Todavia, tenha consciência que as emoções se autoperpetuam. E o que significa isso? Significa que se eu penso em algo alegre, experimentarei uma onda de alegria. Isso conduzirá a minha mente a um novo pensamento alegre que conduzirá a outro e mais outro. Até aí tudo bem, porém essa mesma dinâmica ocorrerá se eu pensar em algo triste. Isso poderá estimular uma onda de tristeza, onde me fará relembrar outra situação triste e outra e mais outra e assim sucessivamente. O mesmo acontece com a raiva, quando após algum incidente identifico uma onda de raiva em mim. E durante a raiva, relembro de outras coisas que também senti raiva. E passo a sentir outra onda de raiva, que acaba gerando mais outra. Isso acabará me deixando mais raivoso e estressado no decorrer do meu dia.  Se essas emoções evocadas persistirem por apenas alguns dias, elas perderão a intensidade e cessarão. Como é o caso do exemplo a seguir: você foi ao cinema, assistiu um filme do tipo drama romântico e chorou de emoção. Sentiu uma leve tristeza, voltou para a sua casa e esqueceu o filme. Essa tristeza cessou sem te deixar deprimido. Essa emoção foi apenas uma onda, com começo, meio e fim. Você não desenvolveu um estado de humor deprimido, o filme não te levou a uma depressão. Porém se você disparou um gatilho de tristeza e essa tristeza passou a ser alimentada conscientemente ou inconscientemente por vários dias, meses ou até anos. Essa tristeza foi perpetuada pela duração de várias ondas, ou seja, várias emoções que se prolongadas passarão a um estado de humor deprimido. Compreende? Você então apresentará um estado de humor deprimido, podendo variar do mais leve, para o grau moderado a grave. Onde você acabará sim, sendo acometido pela depressão. Onde aqui a depressão já não é mais uma simples reação a um evento, mas uma reação a vários eventos, que muitas vezes nem ao menos são identificados em um primeiro momento. A pessoa às vezes nem sabe porque deprimiu, o que a levou à depressão.

Percebe agora como as emoções se autoperpetuam e a importância de trabalharmos internamente nossas emoções? Isso é muito importante! Grande abraço.

 Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.

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