No final do século XIX, o psicólogo norte-americano Edward Lee Thorndike, discípulo de William James, efetuou um experimento para analisar o comportamento dos gatos. O aprendizado em animais o fascinava. Mediante as observações dos experimentos, Edward Lee Thorndike descreveu o processo de aprendizagem como: “comportamentos seguidos de consequências satisfatórias tendem a se repetir, enquanto que comportamentos que produzem consequências desagradáveis, têm menos probabilidade de se repetir.” Essa conclusão dos estudos de Edward Lee Thorndike foi muito importante e é a origem dos estudos sobre condicionamento operante, mais tarde desenvolvidos por Skinner. Partindo desse pressuposto, vamos comentar um pouco sobre hábitos.
A aprendizagem ocorre mediante as tentativas de acerto e erro. Desde bebês quando damos os primeiros passos, aprendemos que caminhar envolve tentativas de caminhada. Caímos e levantamos inúmeras vezes até que o nosso cérebro se desenvolve e passamos a andar normalmente. Para o cérebro uma vez aprendido a andar, não haverá necessidade de todos os dias, aprender a andar novamente. Há o processo de andar e o cérebro desenvolverá essa função sempre. Nós temos essa vantagem biológica onde o cérebro para poupar esforço, uma vez que aprende, tende a repetir o aprendizado. É nessa repetição que percebemos nitidamente a criação do hábito. Portanto, hábito é um comportamento repetido o suficiente para se tornar automático. Hábitos são rotinas, comportamentos realizados regularmente e automaticamente, com o propósito de resolver os problemas da vida com o mínimo de esforço possível. Nesse sentido, toda vez que você se depara com uma tomada de decisão, na dúvida como resolvê-lo; o seu cérebro estará ocupado e verificando o curso de ação mais eficaz.
Lembra do experimento com os gatos de Thorndike, onde “comportamentos seguidos de consequências satisfatórias tendem a se repetir, enquanto que comportamentos que produzem consequências desagradáveis, têm menos probabilidade de se repetir?” Pois é, hábitos são atalhos mentais aprendidos com as experiências positivas e negativas. As negativas não são reforçadoras, mas os hábitos que identificamos como positivos, são extremamente reforçadores e automaticamente fazem parte de nossa vida. Hábitos criam a nossa vida e são muito úteis pois reduzem a carga cognitiva e liberam a capacidade mental, para que possamos direcionar nossa atenção para outras tarefas. Afinal, a nossa mente consciente é o obstáculo do cérebro. E por ser capaz de prestar atenção a apenas um problema de cada vez, seu cérebro está sempre trabalhando para guardar sua atenção consciente para qualquer tarefa que seja mais essencial. Sendo assim, sempre que possível, a mente consciente delega tarefas para que a mente não consciente, as realize automaticamente. É nesse momento que hábitos são acionados e consequentemente, somos muito norteados pelos nossos hábitos.
Hábitos necessitam ser implementados, ajustados e criados, pois pessoas que não controlam seus hábitos, tendem a ter uma falsa realidade de liberdade. Porém, acabam perdendo-se num emaranhado de distrações com muita perda de foco. Sem bons hábitos financeiros, por exemplo, sem bons hábitos de saúde, de estudo, de disciplina, de aprendizagem. E via de regra sentirão que lhes falta algo, que estão fora da curva, não alinhadas, em desvantagens aos demais em alguns aspectos. Isso acaba contribuindo algumas vezes para o sedentarismo, para o desânimo, preguiça, endividamento, vícios, ansiedade e inclusive depressão. Como também certos hábitos em excesso, desregrados; como trabalhar demais a ponto de ficar doente, praticar atividades físicas em excesso, comer e beber em excesso, exige uma maior atenção e uma mudança de hábitos para uma vida mais saudável e mais equilibrada.
Cabe destacar que é possível sim criar novos hábitos, ajustar outros, porém é necessário que a pessoa deseje e tome consciência e responsabilidade em suas mãos para provocar essa modificação. Até porque os hábitos estão instalados no cérebro, fazem parte dos gânglios basais e será necessário para a alteração e criação de novos, que ocorra uma alteração nos loops neurológicos. O novo hábito não se dará da noite para o dia, mas é possível com empenho e gradativamente.
Desejo que você consiga trabalhar efetivamente em seus hábitos. E que eles sejam muito saudáveis!
Grande abraço,
Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.
